A infância é, sem dúvida alguma, a fase da vida das pessoas que mais marca, que mais se apodera e conduz o rumo dos adultos, seja na América, na Europa, África. A fase oral, época em que as crinaças se aponderam dos peitos maternos e se insurgem contra a fome em busca de um leite vital, mostra a sua força percorrendo toda existência dos seres humanos. Aqui em Sergipe - claro, não estamos em outro mundo - não poderia ser diferente.
Quem reforçou essa idéia da constante volta ao seio, ao alimento perfeito, ao nutrir-se do sangue de onde jorra conforto, bem-estar, força e alimento foi o ex-governador João Alves Filho, quando - em um momento infeliz e inconsequente - conclamou, em discurso durante em encontro do PSDB realizado em Aracaju, prefeitos sergipanos a mamarem nas tetas do governo Marcelo Déda.
Evidentemente, a falácia - palavra dita e flecha lançada não voltam atrás - fervilhou um turbilhão de protestos dos prefeitos ofendidos; movimentou programas de rádio; gerou burburinho no Senadinho (para quem não conhece, é um reduto de aposentados que batem-papo todas as tardes no Calçadão da rua João Pessoa); foi tema de aulas de redação; discussão nas universidades, faculdades e feiras livres; ufa...em todo lugar se alardeou o discurso de João.
Os prefeitos, organizados em associações, expuseram um veemente protesto através de jornais de grande circulação no estado. Claro, o lisonjeio do convite à mamata feriu o brio dos gestores. Ensandecidos, rasgaram o verbo contra Filho. Mas, meu filho, isso é coisa que se faça?!
As emissoras de rádio fizeram a festa sobre o leite derramado e tome fogo no leite. O bichinho ferveu e sobejou, a panela não tinha borda alta e o momento era propício a um levante contra o ex. Deu no que deu: uma enxurrada de raivosas e intrépidas artilharias de quem já deixou de mamar há algum tempo.
O Governador Marcelo Déda também revidou os colóquios flácidos de João que - nem em pensamento - acalentou bovino, pelo contrário: abriu a porteira para boiada passar, assim como um bloco do Pré-Caju, que sai arrastando tudo pela frente.
O que chama a atenção nisso tudo é que só parece que baixou no ex-governador um "cabôco" mamador, daqueles que saem ordinariamente dissipando palavras ao tagarelar de quem não refreia a língua nem dando cachaça de Capela. Convidar para o deleite do leite do Governo e depois querer que os prefeitos estejam com ele no próximo ano quando da eleição, foi no mínimo, uma atitude infante.
Teria o ex voltado aos tempos de menino (ele já chamou Déda assim com esta alcunha) e relembrado do leite que o alimentou? Não dá para entender! Com tanta experiência e cancha política, alguém poderia imaginar que João pudesse um dia cair em uma esparrela dessas? Acredito que nem o mais crédulo dos inchadinhos (aqueles viciados em álcool que ficam nas praças de Aracaju) acreditaria que um dia isso pudesse acontecer. nem os senadores do Calçadão imaginariam nas suas heróicas conversas cotidianas que uma vez na vida tamanha coisa pudesse ser dita.
Chama o pai-de-santo!
André L. S. Brito
Universidade Tiradentes
Jornalismo
Disciplina: Edição
Prof. Susane Vidal
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