*Por André Brito
Acordar cedo, dormir tarde, levar trabalho pra casa, pensar no final de semana sobre as decisões que precisam ser tomadas na segunda-feira, estar ligado às coisas do trabalho mesmo estando em gozo de férias. Se essas situações estão acontecendo, chegou a hora de parar, dar uma respirada e refletir: sou escravo do trabalho?
Os viciados em trabalho, também chamados de workaholics, pagam um preço muito alto para obterem uma condição de vida um pouco mais elevada. São pessoas que têm verdadeira compulsão pelas coisas relacionadas ao seu trabalho e estão espalhadas por todas as profissões e setores da sociedade.
De médicos a professores, de jornalistas a empresários, o vício pelo trabalho termina gerando consequências muitas vezes irremediáveis. A distância com os familiares e a perda gradativa da saúde são duas dessas heranças malditas que a vida dedicada somente ao trabalho proporciona.
Os workaholics levam ao pé da letra a vivência do castigo que Adão sofreu, segundo a narrativa bíblica, de comer o pão com o suor do rosto. Jogando com palavras, estão mais para o pão que o diabo amassou.
Com tanto trabalho, esquecem que têm família. Não há tempo para o futebol do filho durante os Jogos da Primavera (há sempre uma reunião a participar). Teatro ou cinema com a esposa não dá porque há uma viagem marcada e é preciso estar um dia antes para não correr o risco de chegar atrasado (mundo corporativo sabe como é que é: não se pode perder oportunidade alguma). Primeiro dia na escola do filho nem pensar; é preciso estar antes na empresa.
O discurso é sempre o mesmo: é necessário ganhar dinheiro para poder dar uma condição melhor de vida aos familiares. A intenção até que é boa, todavia gera conflitos, sobretudo, de ordem de relacionamento. São pais que não conhecem seus filhos e os entregam ao bel prazer dos caríssimos “hoteizinhos” (creches para filhos dos ricos), das escolas que afundam as crianças em tempo integral de estudo (é preciso passar no vestibular. Mas o menino ainda é quinta série!) e das babás despreparadas que criam os filhos órfãos de pais vivos. Tudo em nome do pão, do conforto, do carro e do status de cada dia.
Os viciados em trabalho, assim como qualquer outro tipo de dependente, precisam se tratar. Não adianta sacrificar seu lazer e suas relações pessoais, pois o resultado disso é desconforto e disputas judiciais (pensões alimentícias, divisão de bens, filhos com problemas de comportamento).
A não ser que tudo seja conversado, pesado na balança se vale a pena se ausentar da família em nome de condições materiais melhores. Dessa forma, com conversas francas e abertas, a cobrança pela ausência pode ser diminuída. Caso contrário, os estranhos moradores da mesma casa continuarão sua saga de estranheza por toda a vida.
Texto para a disciplina Edição
Profª Susane Vidal
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