domingo, 30 de agosto de 2009

DUELO DE TITÃS

No mês de agosto presenciamos mais um combate exaustivo entre duas grandes potências midiáticas do nosso país. O conflito explodiu quando o Jornal Nacional iniciou a edição do dia 12 de agosto apresentando uma reportagem onde o Ministério Público solicitava ajuda internacional para rastrear as movimentações financeiras na investigação de lavagem de dinheiro contra o Bispo Edir Macedo.
Enquanto a Rede Globo exibia a matéria de exatos 9 minutos e 31 segundos, a Rede Record já apresentava a sua versão dos fatos. Versão essa que não abordava o conteúdo da denúncia contra o fundador da emissora de TV e sim alfinetava a rede televisiva concorrente, “Crescimento da Rede Record incomoda a concorrência”, anunciava a jornalista e ex-global Ana Paula Padrão.
A partir desse episódio o duelo foi declarado e os telespectadores ficaram expostos em meio a um campo de batalha. Cada adversário utilizava a informação como escudo, as trocas de novas acusações eram lançadas para o público como verdadeiras bombas, pelo menos essa era a intenção, causar efeitos bombásticos diante dos brasileiros.
Eis as munições utilizadas nesse duelo de titãs: A Rede Globo, representada pelo Jornal Nacional, cita reportagem do jornal O Estado de São Paulo que teve acesso a documentos, que comprovariam a investigação de que a Igreja Universal do Reino de Deus desviava recursos de fiéis para a compra de veículos de comunicação. Segundo a matéria, oito empresas de comunicação, entre elas a rádio e TV Record estão entre as dez beneficiárias de transferências eletrônicas ou depósitos bancários que saíram da Igreja do Bispo Edir Marcedo. Para rebater as acusações a Rede Record, representada pelo Jornal da Record e pelo programa Repórter Record, veiculou três reportagens contendo denúncias graves contra a emissora adversária. A matéria denunciava que “A família Marinho sempre usou a emissora a favor de seus interesses pessoais”, disse o texto, que também apontou a suposta perseguição da TV Globo à Lula, citando, por exemplo, o debate de 1989, contra o então candidato Fernando Collor de Melo.
Mas, afinal de contas o que ou quem está por trás desse conflito? Quem está falando a verdade? Quem é o sujo e quem o mal lavado dessa estória? Quem de fato é a vítima desse enredo? No final das contas a vítima somos nós, que ficamos reféns dessa guerra de gigantes, e que por sinal não temos obrigação nenhuma de assistirmos esse confronto puramente de joguinhos de interesses.
A TV Globo se apóia numa imagem de credibilidade e compromisso com a informação, que construiu frente aos brasileiros durante quatro décadas. De fato a grande massa do nosso país tem a Rede Globo como referência, isso é esperado já que a emissora atinge 97,3% do território brasileiro. Mas, a Globo sendo uma empresa não pode deixar de se preocupar com o fato de que a Record hoje é segunda rede brasileira em audiência, conseguiu dobrar seu faturamento publicitário, deu início a sua própria indústria de dramaturgia, além de tirar 60 jornalistas da TV Globo com ofertas salariais três vezes maiores do que recebiam. Sendo assim, a preocupação a nível mercadológico é uma realidade.
Depois de uma semana de denúncias e replicas o duelo de titãs foi cessado, pelo menos por enquanto ou pelo menos diante das câmeras. Dessa maneira nós, telespectadores que acompanhávamos o embate, ficamos sem saber em que resultou tantas acusações referentes à Globo e a Record. A justiça irá julgar as acusações? Alguma medida será tomada? E caso isso aconteça seremos informados? Se for do interesse dos veículos sim.
É importante termos consciência que “Nenhum império universal ou estrutura global são eternos. Nem precisamos assistir os telejornais para sabermos disso, basta observarmos a história” (Eduardo Pena).


DANIELA SAMPAIO
UNIVERSIDADE TIRADENTES
5º PERÍODO JORNALISMO