domingo, 30 de agosto de 2009

Médico ou monstro?

Quem não está acompanhando o caso do especialista em fertilização Dr. Roger Abdelmassih deveria acompanhar. Independente de serem homens ou mulheres e, principalmente, aquelas pessoas que sonham em constituir uma família através dos tratamentos de fertilidade. Este senhor está sendo acusado de estupro e atentado ao pudor a mais de 50 mulheres, podendo ter cometido os abusos desde os anos 70.

Os dias passam e novas vítimas surgem, tomam a iniciativa para denunciá-lo fazendo com que as acusações sejam reforçadas. As pacientes só ganharam coragem e força em se confessar vítimas quando houve uma denúncia séria do Ministério Público. Elas não estavam mais sozinhas, agora não mais seria a palavra de uma mulher anônima contra a palavra de um médico conceituado. Roger alega inocência. “As denúncias eram fruto de fantasia, provocada pelo anestésico”, afirma Abdelmassih. Mas, se tudo não passa de alucinações porque tantas mulheres o denunciaram? Como os abusos sofridos por elas são idênticos e sem uma vítima conhecer a outra? Seria muita coincidência.

O motivo pelo qual torna o caso surpreendente é o fato de uma pessoa, dentro da profissão, manipular mulheres ansiosas para se tornarem mães, fazendo-as passarem pelo vexame de serem violentadas e atentadas ao pudor quando estavam em uma posição sem poder de reação física e psicológica. Talvez as vítimas não tivessem prestado queixa antes por sentirem vergonha, humilhação, revolta, nojo e culpa. Agora imaginem esse misto de sentimentos somado ao desejo de engravidar. É uma carga emocional bastante pesada para um ser humano e é ainda pior quando não tem seu sonho realizado ou perdem completamente as chances de darem a luz. Como se não bastasse o advogado de defesa diz que deve-se levar em consideração as 20 mil pacientes tratadas pelo doutor e não a quantidade de vítimas. Antes de tudo não podemos esquecer os atos fora da ética médica exercidos por Dr. Roger, poderia ter sido apenas uma vítima, mas, ele tem o dever de responder e pagar por seus erros.

Com base nesta polêmica vai o alerta aos casais ansiosos por serem papais e mamães: prefiram entrar juntos ao consultório, prestem bastante atenção e perguntem sobre detalhes da técnica utilizada pelo profissional e permaneçam unidos quando o especialista for fazer a inseminação, pois, pára quem não sabe, o companheiro pode acompanhar todo procedimento. Pode até parecer exagero esses cuidados, no entanto, não nos esqueçamos que o mais famoso médico em fertilização do Brasil não aparentava ser um violentador sexual e fez atrocidades com suas pacientes.

Lucivânia Pereira
Universidade Tiradentes
Jornalismo - 5º período

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