Estamos quase chegando ao mês de outubro. A partir daí, só faltarão 12 meses para mais uma eleição. Em 2010, os brasileiros voltarão às seções eleitorais para escolher o presidente da república, governador, dois senadores, e deputados federais e estaduais. A cada dois anos, o país é contagiado pela euforia das eleições. Também pudera. Uma nação que passou mais de vinte anos sem eleger seus representantes, devido ao Golpe Militar de 1964, ainda mantém o momento do voto como objetivo principal da tão sonhada mudança.
Pelas terras do Cacique Serigy, a movimentação política já começou (ou será que ela é constante?). Não é raro por estes dias ouvirmos nos programas de rádio ou lermos matérias de jornais e da internet, sobre as eternas brigas entre os dois principais grupos políticos de Sergipe. De um lado, a oposição que sonha em voltar ao poder, mesmo ainda possuindo uma imagem do passado, que estagnou no tempo e pouco representam o sentido da novidade no poder. Do outro um grupo que tanto pregou a mudança, contudo, o que acompanhamos é um marasmo na estratégia de por em prática o que a teoria cansou de bradar nos comícios e movimentos sociais. Esteticamente tudo parece ser “a mudança”. Mas no fundo o que ocorre é a repetição de fatos que tanto o grupo “do novo e do moderno” pregou.
Basta aparecer uma denúncia e pronto: a guerrilha de ambos os lados inicia o bombardeio. E foram vários pavios acesos nestes últimos anos: Mensalão, Sanguessugas, Navalha, Caso Eunice Weaver, “Mamador de tetas do Governo”, entre outras estórias, as quais o povo sempre ouve no pré-período eleitoral. Denúncias de um lado e de outro. E o povo? Onde fica o povão? Infelizmente, por uma cultura de conformismo, com o sentimento de que “um dia vai melhorar”, a população é obrigada a engolir toda esta asneira que a politicagem barata oferece. Já não dá mais para acompanharmos a imprensa sem que as notícias que vêm de Brasília ou de nossos poderes locais não sejam pessimistas sobre nossos representantes. Virou cena comum arquivar denúncias, discussões nos plenários, entre outros casos reprováveis. A política, que deveria ser o meio de discussão entre os poderes e cidadão comum, virou motivo de escândalo na sociedade.
O que resta ao povo fazer? Quais os meios de sair de mais um lamaçal que nosso país atravessa? Onde estão os sonhos de mudança do passado? Onde estão os “cara pintada”? Enfim. Onde está o Brasil que queremos?
A triste realidade é que o povo continua a acompanhar a mesmice a cada ano com o eterno ar de passividade. As mesmas figuras permanecem no poder com um discurso repaginado, mas as práticas não revelam o que há por trás. E já pensam em colocar os seus rebentos – filhos, netos, sobrinhos – para dar continuidade às famílias da política do mesmo. Enquanto o picadeiro da política é armado, a população é convidada a ficar sentada na arquibancada, observando sem reação alguma. Em alguns casos até torcendo para que determinada figura política seja a solução, mas logo se frustrando após perceber que aquilo que era tão “collorido”, na verdade foi uma tremenda ilusão.
Enquanto o povão continuar passivo, mergulhado na acomodação, sem lutar e cobrar pelas promessas, a situação política do Brasil só tende a naufragar ainda mais. As figuras do poder continuarão nesta dança das cadeiras interminável sem que haja a cobrança pelos direitos ou a punição pelos erros. O circo termina, a lona é temporariamente desarmada, mas logo volta a funcionar com os ataques do grupo do mesmo. Ou seja, sempre será a continuidade do mesmo do mesmo do mesmo.
Rozendo de Aragão Sá
Universidade Tiradentes
5º Periodo de Jornalismo.
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