segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Eles são todos Sarney

Mais um escândalo de corrupção é noticiado em Brasília. Como se não bastasse às viagens dos senadores para o exterior a passeio com seus familiares, com tudo pago pelo povo, vieram à tona as denuncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), da contratação de parentes e amigos por meio de atos secretos a desvio de verbas através de contratos fraudulentos entre a fundação que leva seu nome e a Petrobras.

Os fatos não são novos, o que impressiona é a quantidade de denuncias que atingem Sarney e a maioria dos senadores. Arthur Virgílio, líder do PSDB na casa, mantinha um funcionário fantasma em seu gabinete e havia tomado um empréstimo de US$ 10 mil do então Diretor-Geral do Senado, Agaciel Maia. O próprio presidente do PSDB, Sérgio Guerra, pagou uma viagem da filha à Nova Iorque com dinheiro do Senado.

O acordão montado para salvar Sarney contou com a intermediação direta do Presidente Lula, pois o governo precisa manter a aliança eleitoral com o PMDB para as eleições de 2010. Por outro lado, a oposição de direita (PSDB-DEM) não podia seguir com as denuncias contra Sarney porque estão envolvidos nos mesmos esquemas de corrupção. É o sujo falando do mal lavado.

A crise instalada demonstra que o Senado é uma instituição reacionária que deve desaparecer. Sua estrutura funciona para perpetuar seu caráter corrupto. Seu regimento, criado nos tempos da ditadura, tem artigos como o 197 que prevê sessão secreta para a cassação de senadores. A falta de democracia começa na eleição dos senadores que ocorre sem levar em conta qualquer regra de proporcionalidade, ou seja, a quantidade de habitantes de determinado estado para eleger seus senadores. Cada estado tem três senadores e pronto. O tempo do mandato é outro prestígio dos senadores. É o dobro do tempo de um deputado federal. São oito anos com total imunidade parlamentar, sem poder responder a qualquer processo na justiça comum. Assim, os senadores podem fazer a farra com o dinheiro do povo.

A “democracia” atual é profundamente antidemocrática, com seus representantes eleitos pelo poder econômico, o Senado é o exemplo disso. Não é a toa que as figuras mais bizarras da política nacional como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros estejam lá. Não foi por menos que Antonio Carlos Magalhães tenha feito do Senado sua casa.

Acabar com o Senado é acabar com o clube de mafiosos que só votam medidas contra os trabalhadores. É possível funcionar com apenas uma câmara legislativa, onde os parlamentares tenham mandatos revogáveis.

A fala do senador Wellington Salgado (PMDB-MG) à imprensa no auge dos escândalos, “é o que todos fazem”, deixa explicito o que é o Senado brasileiro. No fim das contas, eles são todos Sarney.


Paulo Roberto dos Santos Aguiar

Comunicação Social/Jornalismo

UNIT – 2º período

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